A piscadinha

A piscadinha do Messi pro Neymar

Brasil e Argentina se enfrentariam em
um jogo amistoso nos Estados Unidos. Era a reta final da preparação
da seleção brasileira para as Olimpíadas de Londres. Nessa época
eu trabalhava na Folha de S. Paulo e cobria boa parte dos jogos do
Brasil. Entretanto, nesse jogo específico, o jornal já havia
sinalizado que não levaria nenhum fotógrafo para cobrir a partida.

Sabendo disso, enchi o saco do meu
chefe à época, dizendo que era um jogo muito importante:

- Não podemos ficar de fora desse
jogo! Brasil x Argentina, Messi x Neymar, Adidas x Nike – enumerei.
Disseram que iam pensar, mas que estava difícil. O gasto seria muito
para cobrir um jogo amistoso que na visão deles não valia muita
coisa.

Enfim, decidiram que iam me mandar aos
48 do segundo tempo. Então, bora pra NY.

Chegando lá fiz dois treinos, um de
cada seleção. Eu já havia fotografado Messi duas vezes, no ano
passado por ocasião da Copa América na Argentina e também no
Mundial de Clubes do Japão, onde o Barcelona do argentino venceu o
Santos de Neymar na final. Por conta da ascensão de Neymar (que foi
campeão da Libertadores de 2011) e da sequência de títulos de
Melhor do Mundo da FIFA de Messi, criou-se uma “rivalidade” entre os dois
astros.

Fui com isso na cabeça pro jogo.
Pensando em fazer uma foto que de alguma maneira representasse esse
“duelo”.

Chegando no estádio, fui fazendo o de
praxe: organizei minhas câmeras, deixei pronto o computador para
transmissão das fotos e fiz alguns cliques do aquecimento. Um pouco
antes do início da partida, me posicionei na lateral do campo, na
altura do centro do gramado para fotografar os times posados. Antes
disso, vinha a execução dos hinos das seleções. Foi aí que tive
uma “luz”: “Caramba, vai ser difícil fazer uma foto dos dois
jogadores durante o jogo. Até pelas posições que atuam no campo, a
probabilidade de disputarem uma bola é bem pequena. Então, depois
do hino, quando todos os jogadores se cumprimentarem, pode ser minha
única chance. É isso! Quem sabe se abracem, conversem um pouco, sei
lá”.

Bom, o resultado foi a foto aí de baixo. Sim, foi sorte. Muita sorte. Lembro que quando um se aproximou
do outro, “sentei o dedo”. Devo ter feito umas 10 fotos em
sequência. Estava usando uma 400mm, que fechava bem a cena. Na
posição que eu estava, o quadro era praticamente da altura dos
ombros dos jogadores até o topo da cabeça.

Na hora não vi realmente o que tinha
saído. Levantei rápido de onde estava sentado e fui me direcionando
pra linha de fundo, na minha posição para fotografar o jogo. Quando
cheguei lá, sentei no meu banquinho e comecei a ver o que tinha
conseguido. E comecei a sorrir: afinal de contas, tinha valido a pena ir até os
Estados Unidos fazer aquele “amistoso”.

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