A foto de quem não fez gol

Brasil e Camarões jogavam em Brasília
ainda pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2014. A seleção
brasileira já vencia por 2x1 quando aos 4 minutos do segundo Fred marcou o terceiro gol do Brasil, de cabeça.

Foi um lance depois de um escanteio em
que a bola ficou pererecando um bom tempo na área dos africanos.
Praticamente todo o time brasileiro estava no campo de ataque,
inclusive o zagueiro David Luiz, que foi quem cruzou para Fred marcar.

Nessa partida me posicionei (como
sempre) no lado contrário ao do banco de reservas. Posição
predileta, alguns metros da bandeira de escanteio na lateral do
campo. Trabalhava nesse dia com uma Canon 1DX com uma teleobjetiva
400mm 2.8 e com uma 5D Mark II com uma lente 50mm 1.4, que deixo
sempre em 2.0. Com essa abertura, o desfoque da imagem fica muito
bonito. É um pouco mais difícil “cravar” o foco, mas quando ele
vem, fica lindo.

Depois do bate e rebate na área, a
bola sobrou para Neymar na ponta direita. O craque cruzou, a defesa
rebateu, Fernandinho dominou e acionou David Luiz na ponta direita
que cruzou na cabeça de Fred: gol do Brasil.

Enquanto eu tentava achar o autor do
gol com a 400mm (Fred passou por trás das traves e veio correndo em
direção à David Luiz, mas ficou encoberto por vários jogadores) o
zagueiro virou-se em direção às arquibancadas e deu uma “voadora”
na bandeira de escanteio. Perdi a foto, porque ainda estava
utilizando a 400mm. Foi a hora que resolvi sacar a 5D Mark II com a
“cinquentinha”.

Fred continuou correndo e ele e David
Luiz se abraçaram, meio que girando no ar. Fiz dois cliques (um
deles foi esse aí de baixo).

Depois, David Luiz virou-se novamente
para os torcedores. Gritando, gesticulando. Fiz mais alguns cliques –
ele já estava bem próximo dos fotógrafos nessa hora.

Como falei anteriormente, quando o foco “crava” com uma abertura dessas, o desfoque fica muito legal. Foi
uma das fotografias que mais gostei de fazer nessa Copa. Pela
composição, pela luz, cores e plasticidade. Mas principalmente por
arriscar e dar certo. Num evento desses, com 200 fotógrafos no
campo, trabalhando ombro a ombro, é preciso ter um diferencial para
tentar se destacar. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas arriscar
sempre vai valer a pena.

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